domingo, 30 de setembro de 2012

Estrela da Vida

Vi no céu uma estrela,
que nela mesma se refletia;
Como se fosse um lago
onde a noite recosta-se.

Possuía um brilho intenso,
pensei ser mitologia;
Mas ela queria apenas
ser coberta de magia.

Essa estrela era você,
que somente eu vi brilhar;
E temendo ser consumida,
correu contra o céu da vida.

Um ser que não quer brilhar,
talvez nem mesmo exista.
Um ser que não quer amar,
não merece nenhuma conquista.

                                                           (Maria Inês Silva de Souza)

                                                   

Comunicação

Pairava no ar um som
de vozes emaranhadas,
Ficavam os sons agudos,
de graves, também seguidos.

São pessoas e seres,
tentando se entender;
E gente ainda perdida
na magia do aprender.

Talvez...pensavam elas, 
é fácil viver assim.
Só que elas não sabiam,
que estavam bem longe de mim.

Perderam-se os pensamentos
voaram contra o vento.
Os olhos já estão embaçados
e os corpos muito cansados.

                                                      (Maria Inês Silva de Souza)


O Velho

Lá distante mora um homem,
já está velho e acabrunhado;
Vê os jovens empavesados
através de olhos eclipsados.

À noite quando o sereno cai,
o velho que é um tanto néscio,
ao longe vê o boi que vai,
vagueando através do seu cônscio.

E ao amanhecer já sente o
pobre velho, a pele empalidecer.
E lento corre sobre a relva
para respirar o ar que se eleva.

Ela o fortalece, o transforma;
O deixa livre sobre o páramo.
E o velho que antes sofria,
agora chora, mas de alegria.

                                                           (Maria Inês Silva de Souza)


Morrer de Saudade

Parece que a noite
cobriu o brilho do sol;
E que a vida
perdeu o encanto.

Parece que os sonhos,
não são mais tão lindos;
E que a realidade
perdeu-se em um labirinto.

Parece que ontem,
eu era mais eu;
E hoje não sou mais nada
que o próprio nada.

Parece que eu não sei
mais viver de verdade;
E que com o passar do tempo,
por sua culpa morrerei de saudade.

                                                                 (Maria Inês Silva de Souza)


Poesia

Abro os olhos, vejo amanhecer,
deslizando a caneta do pensamento
sobre as linhas macias
do lençol ainda aquecido.

A cabeça matutando rimas e sonetos,
a música ao longe, se confunde
com a suavidade do vento,
que sopra na praia do pensamento.

Surge então uma rima:
Sorria, alegria.
Mas acho-as muito singelas
e viro as páginas já amarelas.

Quando ponho os pés no chão,
enfrentando a multidão;
A multidão de sonhos e paisagens
envoltas em pura e meiga saudade.

                                                               (Maria Inês Silva de Souza)


Morte

Silvestre como a flor do campo,
doce como o mel,
vaga como a imensidão,
triste como a solidão...

Calma como o oceano,
misteriosa como um anjo,
sensível como a criança,
sarcástica como um engano.

Talvez alva como a neve,
ou leve como uma pluma,
plena como a natureza.
Pobre, é a morte com certeza.

                                                             (Maria Inês Silva de Souza)


A Vida

Vago pela noite afora
voo na imensidão,
passo noites intensas
tendo doces recordações.

Vai a noite e vem o dia,
sempre passa assim a vida;
Dos sonhos que muitos temos,
de poucos sobrevivemos.

Choram anos perdidos
nas mágoas da solidão,
e choram sonhos intensos
na imagem da recordação.

A vida é um sonho louco
do qual sobrevivem poucos.
A vida é uma qualidade
de quem vive de verdade.

                                                     (Maria Inês Silva de Souza)


Nuvem da Verdade

Acordei em uma nuvem,
era branca e suave;
E nela eu descobri,
que sou feliz de verdade.

Na sua suavidade,
onde há sonho e miragem,
vejo a verdade escrita
nas tábuas da igualdade.

Amo tudo que me for
possível aqui amar.
Amo até mesmo aquilo
que não deseja me amar.

Depois de muito flutuar
em minha suave nuvem,
desci e acordei aqui,
e dela jamais esqueci.
(Maria Inês Silva de Souza)

sábado, 29 de setembro de 2012

Silhueta

Às vezes minha mente viaja,
e meu coração naufraga;
E me sinto muito leve,
como a onda do oceano.

Sempre que vou inundar,
com a espuma do mar cintilante,
meu peito sedento,
vejo sua imagem no horizonte.

Seu rosto é inimitável,
sua silhueta incomparável.
Somente seu sorriso não visto,
é triste e imperdoável.


                                                                                (Maria Inês Silva de Souza)


Sol

Brilhando,
longe no horizonte.
Queimando,
doce, como água da fonte.

Suave e viril,
amigo e impiedoso companheiro,
que ilumina minha terra,
esse mundo o dia inteiro.

Sol, rei maravilhoso,
porque brilhas tanto assim?
Por que não posso tê-lo
exclusivamente para mim?

Sei que não tens respostas,
secastes também a elas;
Parece que você, foi
emitido através delas.
(Maria Inês Silva de Souza)

Pesadelo

Vagueiam almas confusas,
em mágoas de solidão;
perdem-se corpos sem alma,
em um mar sem direção...

Flutuam plumas no ar, 
correm para não voltar.
Passam em sonhos de ilusão,
em outro buscam consolação.

Vão-se homens e feras!
Falsos como gladiadores,
pescam peixes sem ter mar,
para alimentar os pensadores.
                                                                   (Maria Inês Silva de Souza)

Paisagem

Corre solto sobre a relva,
o vento alegre e faceiro,
borbulhando o oceano,
andando rápido, ligeiro.

Vai o sol e vem a chuva,
as vezes em vice-versa,
com lindos pássaros,
cantando e fazendo festa.

Há encantos nas florestas,
sonhos de cinderelas,
onde folhas cintilam nelas.

Risos e miragens,
crianças em devaneios,
se confundem com a paisagem.
(Maria Inês Silva de Souza)

Menino

Você é como menino,
no parque do meu coração.
Brinca de escorregar,
nas tábuas da minha paixão.

(Maria Inês Silva de Souza)

Se Houver Amanhã

Se houver amanhã, as pessoas
não saberão o que fazer com ele...
Se houver amanhã, elas
se perderão dentro dele.

Se houver amanhã,
as pessoas se sentirão inúteis,
pois nunca
pensaram nele.

Se houver amanhã, será
um amanhã tão sem ontem,
que o próprio amanhã,
não terá amanhã.

Se houver amanhã, e o homem
aprender a se respeitar,
então não será amanhã, 
mas sim ontem.

No amanhã, que haverá amanhã
(se houver), só restarão sonhos,
pois a realidade
morreu hoje.

(Maria Inês Silva de Souza)

Subúrbio

Moram no subúrbio,
sonhos de cinderelas,
de banqueiros e de 
grandes homens;

Onde também morrem
grandes e puras
esperanças!

                                                           (Maria Inês Silva de Souza)

Querer


Eu queria reconquistar a esperança,
para ver renascer o amor.
Eu queria voltar a ser criança
para colher com amor uma flor.

Eu queria, queria tanto...
Queria poder, algum dia,
QUERER.

                                                       (Maria Inês Silva de Souza)


Sentimento

Meu coração se entristece,
esquece, sonha com a vida.
como se a dor não sentisse,
da solidão já não esquecida.

As madrugadas são vazias,
e os sonhos são pesadelos;
A noite é triste e fria
como o canto solitário da cotovia.

Esse amor que aqui guardo
é como flor 
de pólen encantado,

E como um sonho enamorado,
um verdadeiro e longo 
sonho passado.

                                                               (Maria Inês Silva de Souza)

Saudade de Você

A saudade invade meu peito,
pois há um medo de você.
Medo dessa solidão,
e não entendo o porquê.

Se ela me joga em seus braços,
deles fujo com veemência.
Mas sempre procuro seus traços
em rostos sem inocência.

E logo ao entardecer
procuro nos raios do sol,
já o longe amanhecer.

Se você longe está,
passo então a murmurar,
seu nome em qualquer lugar.

Recado

Já escrevi tantas cartas
ao amor...
E ele nunca me respondeu.

Já lhe chamei tantas vezes,
e ele...
nunca me atendeu.

Já falei tanto dele,
que ele...
já me esqueceu.

Penso tanto nele
que hoje,
"ele" não existe.

                                                                  (Maria Inês Silva de Souza)

Linhas Incertas

Minha caneta desliza
por linhas incertas da vida.
Esconde segredos não muito cobertos
e fala de coisas multicoloridas.

Ela vagueia de um lado a outro
como um homem louco,
que não sabe o que faz
pois para ele, morrerá a paz.

Elas cantam o que desejo,
talvez esqueçam um detalhe,
como aquele ou outro beijo.

E correm como o vento,
buscando acalento,
por linhas incertas de meu pensamento.

                                                               (Maria Inês Silva de Souza)

Uma flor de Gardênia

A primavera chegou!
Flores, amores e sonhos,
vidas e encantos tamanhos,
e, lá distante um jardim...

Verde, muito verde
há nele, e aqui perto
Quanto sonho que se esconde
naquele botão ainda coberto...

Cai a tarde, e finalmente
chega o tão esperado amanhecer
e com ele, um suave perfume...

E, naquele jardim,
daquele botão, nasceu doce e
serena, uma linda flor de Gardênia.

                                                                  (Maria Inês Silva de Souza)