sexta-feira, 17 de setembro de 2021

 Eu e Você


Eu sou flor, você botão,

Eu sou sol, você a lua,

Eu sou céu, você meu chão.

Eu sou barco, você meu mar,

Eu sou canto, você a rima,

Eu sou pedra, você perdão.

Eu sou criativa, você cria minha.

Eu sou o que a vida me der,

Você é o que você quiser.

Vou ao seu encontro e de você

sempre me encanto.

Você amor de minha vida,

Você minha fera querida,

Que briga, que luta, que insulta,

Que faz o que acha que deve,

Que dá o que recebe a quem 

de fato merece.


(Maria Inês Silva de Souza)

quarta-feira, 2 de julho de 2014

DECIDA

Se for pra ser bom,
que seja de comer.
Se for pra ser duro
então que seja inquebrável.
Se for pra ser branco
que doa ao olhar,
se for pra ser forte
que seja pra suportar
as dificuldades da vida.
Se for pra ser grande
que seja maior que o oceano,
Se for pra ser bobo
que me escolha pra dar risada.
Se for pra ser mal
que escolha o caminho oposto.
Se for pra mentir,
minta sempre por uma causa nobre.
Se for pra crescer
que cresça sua bondade de coração.
Se for pra chorar,
chore bem baixinho para
os anjos não acordar...
Se for pra amar, ame de verdade,
não ame com palavras, mas sim
de coração aberto sem pensar a quem.
Se for pra correr, corra  para
os braços de alguém...
Se for pra pedir perdão, não peça não,
comece de novo e prove o seu valor.
Se for pra viver, viva com alegria,
com um novo sorriso a cada dia,
pois as pessoas a sua volta não sabem
das suas dores, dos seus clamores, mas
desejam sua atenção, seu amor, sua
amizade e sua verdadeira vontade de tê-las
ao seu lado, mesmo que em pensamento.
Pois se for pra perder tempo,
não o perca aqui, não temos tempo a perder.

                                                (Maria Inês Silva de Souza)

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Caminhos...
São tantos a seguir,
têm tantos a pedir
um pouco de atenção
em cada escolha que se faz.

Ruas...
como percorrê-las,
num dia, num mês,
se elas nunca se acabam
e às vezes se fazem perder.

Ventos...
sopram quando não precisam,
matam sem licença,
vão onde não esperam,
seguem sem fronteiras.

Vidas...
nascem todo dia, e
morrem todo o tempo,
vivem sem entender e
morrem sem aprender.

                  (Maria Inês Silva de Souza)
Quem quer ser perfeito?
Perfeição é para "santos",
e longe de mim querer ser santa.
Só quero mesmo é conseguir viver,
ser feliz e crescer dentro de
um mundo além da vontade alheia.
Não dá para agradar aos outros
e a mim mesma, mas ser eu,
já é um problema para alguns.
Todos os dias acredito que dou
o melhor de mim, mas cada ser
tem sua tabela, sua medida, que
nunca parece ser a minha.
Procuro respeitar cada um com o
seu eu (sempre que possível), mas
sinto que isso não acontece comigo.
Será que aos olhos alheios
sou tão ruim, tão difícil, tão
deficiente de alcançar o lado
bom de tudo?
E eu? quem olha a minha avaliação
de si mesmo, vista por meus olhos?
Quem pergunta à mim os seus defeitos?
Tento sempre agradar, dar o meu melhor,
mas descubro cedo ou tarde, que já
cansei e não alcancei a plenitude,
pois, isso também é para os Santos!

                     (Maria Inês Silva dos Souza)
O que fazer para poder ser você
sem que sendo quem é, não
vá interferir no ser de alguém?
Como ser um alguém com 
importância mesmo sem tolerância
para quem julga-se mais?
Onde ir quando o caminho
peregrinado de espinhos se
lança à sua frente num vão
de olhar ausente?
E se dizer, não for o bastante,
e se ouvir não for relevante,
se a tua verdade não for aceita,
se o teu ver não quiser ser visto?
Ah, que dor dolorida, vive o sincero,
o analista do mistério,
aquele que cansado fica, que
o coração grita, tentando provar
o seu sim, mas no fundo é
um "solito", uma lua num 
ceú não límpido, onde as estrelas
ficam a distância esperando
que a esperança perdoe
sua alma ainda vibrante, mas 
nunca aceita, sempre "rejeita".
Talvez ser você não seja bom,
para aqueles que te cercam,
quem sabe tu deva ver e dizer
quem "eles" são, antes que
eles te façam apenas ninguém.

                          (Maria Inês Silva de Souza)
É tarde...
Não durmo.
Se não durmo,
penso.
Se penso, sofro.
Se sofro, choro.
Se choro, como.
Se como, engordo.
Se engordo, não agrado.
Se não agrado, me deprimo.
Se deprimida, me zango.
Zangada falo alto,
assim incomodo,
incomodada também fico.
Mas não grito,
pois se grito,
o mundo em volta fica aflito.
É tarde,
não durmo; meu sono
ficou surdo, mas não mudo,
ouço o mundo pelos olhos
abertos no escuro oculto,
penso, e pensando sofro,
e choro e por dentro morro,
se morro já não faz mais
falta o que penso, é como
um lenço, esquecido no banco
da praça pelo avesso,
pensamento ao vento.

                          (Maria Inês Silva de Souza)
Estava frio e escuro,
olhava ao redor e via
mãos e braços, olhos e bocas,
todos me viam, mas nada faziam,
porque não podiam, até que queriam,
mas, eu estava sozinha.
Então chorei, andei, vaguei,
achei que o meu fim chegaria,
que tanta dor não aguentaria,
pois era uma dor no fundo só minha,
que a minha guarda resistia,
e com o tempo se acabaria.
E um belo dia, tanta dor já não ardia,
e uma nova luz se acendia;
Quanta alegria para uma nova
história que se inicia, e bocas
e olhos que me assistiam,
e eu ainda sozinha.
Foi-se então a agonia, agora
eu já sorria, e me achava toda prosa,
fazendo-me amorosa,
querida e requerida, mas só
a mim eu agradava, porque aos outros
já não importava, e me vi numa sala vazia,
pensei: estou sozinha.
Não importa o que eu faça para
aos outros agradar, tenho que agradar a mim,
pois aos outros sempre devo, e a mim
sempre desejo dar mais, e não
consigo jamais; olho então a consequência
e entendo a diferença: para mim, dou aos
outros o bastante, para eles não sou
o bastante, fico procurando no horizonte
um espelho para refletir-me e então poder
saber, que sozinha não vou voltar a ser.

                                (Maria Inês Silva de Souza)