segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Estava frio e escuro,
olhava ao redor e via
mãos e braços, olhos e bocas,
todos me viam, mas nada faziam,
porque não podiam, até que queriam,
mas, eu estava sozinha.
Então chorei, andei, vaguei,
achei que o meu fim chegaria,
que tanta dor não aguentaria,
pois era uma dor no fundo só minha,
que a minha guarda resistia,
e com o tempo se acabaria.
E um belo dia, tanta dor já não ardia,
e uma nova luz se acendia;
Quanta alegria para uma nova
história que se inicia, e bocas
e olhos que me assistiam,
e eu ainda sozinha.
Foi-se então a agonia, agora
eu já sorria, e me achava toda prosa,
fazendo-me amorosa,
querida e requerida, mas só
a mim eu agradava, porque aos outros
já não importava, e me vi numa sala vazia,
pensei: estou sozinha.
Não importa o que eu faça para
aos outros agradar, tenho que agradar a mim,
pois aos outros sempre devo, e a mim
sempre desejo dar mais, e não
consigo jamais; olho então a consequência
e entendo a diferença: para mim, dou aos
outros o bastante, para eles não sou
o bastante, fico procurando no horizonte
um espelho para refletir-me e então poder
saber, que sozinha não vou voltar a ser.

                                (Maria Inês Silva de Souza)

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