É tarde...
Não durmo.
Se não durmo,
penso.
Se penso, sofro.
Se sofro, choro.
Se choro, como.
Se como, engordo.
Se engordo, não agrado.
Se não agrado, me deprimo.
Se deprimida, me zango.
Zangada falo alto,
assim incomodo,
incomodada também fico.
Mas não grito,
pois se grito,
o mundo em volta fica aflito.
É tarde,
não durmo; meu sono
ficou surdo, mas não mudo,
ouço o mundo pelos olhos
abertos no escuro oculto,
penso, e pensando sofro,
e choro e por dentro morro,
se morro já não faz mais
falta o que penso, é como
um lenço, esquecido no banco
da praça pelo avesso,
pensamento ao vento.
(Maria Inês Silva de Souza)
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