sábado, 27 de outubro de 2012

Confissão ao vento

Me inspiro em você
para escrever um poema
na noite, quando cai sereno
sonho com você no soneto do vento.

Na manhã vejo seu rosto
na tarde ouço seu sorriso
e ao chegar novamente a noite
só consigo ouvir meu pranto.

Meu pranto cai como chuva
na terra árida do deserto.
Cai como água fervente no fogo incandescente,
são temperaturas irmãs que se unem para morrer.

                                                       (Maria Inês Silva de Souza)


O Crime

Na noite escura
Caminha pela rua uma moça,
vem cansada do trabalho
da luta diária que enfrenta.

De repente ouve passos
corre, foge, mas não adianta.
Logo adiante é emboscada,
e sua vida torna-se um inferno.

Suas roupas arrancadas,
seu corpo ferido e marcado.
Vão chamá-la de desonrada,
e vão xingá-la de mulher mundana.

Nos beijos jogados a força
no corpo cansado da moça,
restou apenas a tristeza
da justiça que não foi feita.

Agora que já passou-se
muito tempo do delito,
um homem acha-se morto
com o corpo esquartejado
na mesma calçada fria.

                                                              (Maria Inês Silva de Souza)


A Chibata e o Escravo

Ouço o canto do negro
que chora enquanto canta.
Vejo a lágrima na pele
que escoa em forma de suor.

Sinto o cheiro de sangue
do negro marcado na noite
por uma chibata bem seca
que lhe cortou a pele sangrenta.

Na pele do negro 
que ensanguentado não chora
vejo a força da vida humana
lutando por sua glória.

Entre risos e sorrisos
ouço um som bem diferente
é o suor de sangue ardente
do negro que agora faz inerte recostado ao tronco.

                                                  (Maria Inês Silva de Souza)


Sonho do Coração

Penso em tanta bobagem
Quando estou triste
Que sinto até vontade de morrer.
Será que a morte resolveria?

Caindo na morte, levanto
na vida e ressuscito ao amanhecer.
Passo por selvas de trevas
de turbilhões de sonhos e tentações.

Caio finalmente na glória
aqui tudo é tão bonito.
As pessoas se amam e se respeitam,
há harmonia e felicidade ante tanta simplicidade.

Na harmonia vejo minha mãe
na felicidade me vejo com ela
de mão dadas e coração aberto
de encontro com a verdadeira paz.

                                                                      (Maria Inês Silva de Souza)


A Rosa Morta

Ontem fui ao jardim
No chão havia uma rosa.
Pobre rosa já sem pétalas, 
sem pólen, sem vida.

Mas era a rosa mais linda
Pois ela já havia vivido,
enfrentando encantos e perigos
gozando de grandiosos sorrisos.

Era como um doce,
depois de ser apurado,
era como um sonho
depois de ser realizado.

Havia nela uma meiguice
pura, doce e serena.
Mostrava uma segurança
coberta de esperança.

Pois aquela rosa era eu
Bem depois de ser criança.
Seria calma e serena, pois
Já haveria encontrado a 
Paz, que a vida com a luta,
para cada um de nós trás.

                                                           (Maria Inês Silva de Souza)


Sonho

Sonhei que o mundo não mais chorava de dor.
Sonhei a coisa mais linda,
Sonhei com uma alma perdida
A qual eu encontrei.

No sonho eu era criança,
brincava naquela calçada.
E passando muito tempo,
Eu tornei-me uma esperança.

Das rosas que eu jogava
 No caminho das pessoas
Nasceram sonhos dourados
Da menina que eu já fui.

No sonho eu também via
Uma grande multidão
Perdida na areia fria
Na praia da desilusão.

Como aquela gente
Eu me perdi no meu sonho
E quando acordei
Percebi que não estava sonhando.

                                                                  (Maria Inês Silva de Souza)


Canto sem Rima

Saudade que invade
Sincera e bondosa.
Malícia que supera,
a força de quem era.

Chorando na noite
Eu sinto, seu perfume
Vejo seu peito aberto
Coberto do meu amor.

Se a dor me deixar viver,
prometo ir ver você.
Mas se ela me matar,
eu irei lhe buscar.

Vou pô-lo bem do meu lado
Enchê-lo com meu abraço
Cobri-lo com meus beijos
Senti-lo só para mim.

                                                  (Maria Inês Silva de Souza)