Seu corpo está a arder,
algo ela pensa temer;
Sua alma desvairada,
procura a fonte sagrada.
Seus olhos guardam segredos,
de dores e até de medos;
E sonhando com o pecado,
para alguém manda um recado.
Para muitos que a vêem,
ela não é diferente;
Mas é logo conquistada,
e sua alma marcada.
Muitos creem na nascente,
no sonho da paixão ardente;
E seus braços tornam-se desertos,
que para os tolos estarão sempre abertos.
Para ela há sempre o pecado,
triste, também doce e desvairado;
Pois seu peito fica arfante,
quando tem ao lado o amante.
Pode tornar-se sinistra,
quando deseja uma conquista;
E na lama seu nome se enterra,
como os soldados mortos de guerra.
E mesmo assim, seus olhos ainda cintilam,
o suave sol do amanhecer;
Onde há alguém que dormiu no peito,
daquela mulher, naquele leito.
(Maria Inês Silva de Souza)
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