sábado, 27 de outubro de 2012

No crepúsculo da noite

Eu estou aqui
ouvindo sons diversos
de feras e insetos
que na escuridão procuram sua sorte.

Ouço os insetos,
choram como bebês,
amedrontados com seu próprio ruído,
perdidos em chamados de mães desesperadas.

Num canto deste crepúsculo
encontro uma criança
que chora já há muito
sem fé nem esperança nas lágrimas que há muito rolam.

Das mãos trêmulas que acaricio,
das lágrimas que seco,
vejo no rosto cansado
brotar o mais lindo sorriso.

Depois de passar muitos anos
de sorrisos multiplicados
vejo que no crepúsculo da noite
colhi uma esperança.

                                             (Maria Inês Silva de Souza)


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