Andava eu a procura de alegria,
e na rua da procura
encontrei a fantasia.
Vesti-me então de palhaço para
poder fazer rir, pois com minha
cara triste não iria conseguir.
E do meu riso improvisado, acabei
escravizado. E fui sorrindo pela vida,
mesmo quando queria chorar;
chorava dando risada, pois, meu riso
era meu pranto despedaçado.
E um dia, num desses risos, sem graça,
haviam dois olhos brilhantes
tão sérios a me observar.
Perguntei, porque daquele jeito me olhava,
e uma voz suave e certeira
sem pensar me respondeu:
-"O teu riso é tão triste que tenho
vontade de chorar. Tu és um palhaço
tão sem graça, que nem
a cara adianta pintar".
E o meu riso tornou-se pranto,
diante de tanta verdade. Mas, quando
comecei a chorar, aqueles olhos brilhantes
começaram a sorrir.
Triste como eu estava, perguntei
porque ria da minha tristeza. Ele disse
simplesmente:
-"Agora és tu de verdade, não enganas
mais a ti mesmo.
Viverás com o teu "eu", e não
com esse estranho, que até hoje viveu".
Dizendo isso partiu e nunca
mais retornou. Quem era ele?
Ele era o meu medo, meu
interior ainda desconhecido,
e a minha solidão de mim mesmo.
(Maria Inês Silva de Souza)
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