Sou poeta, sou um ser.
Sou mulher, também sou homem.
Sou alguém, no fundo ninguém.
Sou tudo, dentro de um nada medonho.
Sou bondade, dentro da
maldade dos outros.
Sei ler corações, ver lágrimas
em sorrisos, cortar gotas
de orvalho com uma espada
de bronze. Sou Poeta!
Tenho sangue cor-de-rosa,
olhos cor de anil, voz de especulador.
Coração de criança eu tenho.
Posso descobrir segredos, nunca
antes revelados, posso agarrar
estrelas sem tirar os pés do chão.
Choro, amo, sofro, mas dou alegria
com toda minha poesia, dou amizade,
e não consigo matar minha dor,
porque sou poeta, onde quer que for.
(Maria Inês Silva de Souza)
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