sábado, 6 de outubro de 2012

Talvez Alguém

Já fui a menina dos olhos
de alguém, que para mim
ainda era ninguém.
Hoje vejo naquele ninguém,
o único alguém para mim,
mas, já não para o tal
ninguém, alguém como eu.
Algo no fundo morreu?
Será que ninguém se arrependeu?
Se ninguém já não me tem
no brilho do olhar, como vou
poder ser alguém?
Ninguém já é parte de mim,
mas aos poucos, vai se soltando
a parte que de mim contém.
Às vezes, ninguém me faz
melhor que qualquer alguém,
e noutros, sou bem menos
que o próprio sentido da
palavra ninguém.

                                               (Maria Inês Silva de Souza)



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