Já fui a
menina dos olhos
de alguém,
que para mim
ainda era
ninguém.
Hoje vejo
naquele ninguém,
o único
alguém para mim,
mas, já
não para o tal
ninguém,
alguém como eu.
Algo no
fundo morreu?
Será que
ninguém se arrependeu?
Se ninguém
já não me tem
no brilho
do olhar, como vou
poder ser
alguém?
Ninguém
já é parte de mim,
mas aos
poucos, vai se soltando
a parte
que de mim contém.
Às vezes,
ninguém me faz
melhor que
qualquer alguém,
e noutros,
sou bem menos
que o
próprio sentido da
palavra
ninguém.
(Maria
Inês Silva de Souza)
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